Trabalho e felicidade

Então após considerar quase todas as variáveis envolvidas, percebi que embora o desafio fosse grande, a meta era alcançável e também rentável. Apenas uma coisa passou subitamente a intrigar-me profundamente. A não ser pelo provável retorno financeiro, nada daquele projeto tinha a ver com minhas habilidades, meus sonhos, minhas aspirações. Valeria a pena achar o pote de ouro no fim de um arco-íris em preto e branco?

Qualquer consultor de carreira responderia negativamente. Fazer o que gosta, segundo eles, é um dos segredos para a realização. É fácil concordar com isso. Difícil é ser devidamente remunerado por aquilo que se gosta de fazer. Na verdade, carreira, empreendedorismo, dinheiro, sucesso, são palavras que carregam em suas semânticas uma série de impressionantes alternativas. Conquistar alguma coisa, não tem sido, de maneira geral, diferente de conquistar alguém. Existem regras básicas. Mas existem excentricidades também. Existem caminhos lógicos e bem definidos. Existem também doses de sorte e ousadia.

Consigo acreditar que é possível viver muito bem financeiramente fazendo essencialmente aquilo que dá prazer. Vejo que absolutamente tudo dá dinheiro. Não é bem o que se faz, mas como se faz. O resto não está no nosso controle. Existem empresas com todos os recursos e expertises quebrando por todo mundo. Até bancos estão nessa situação. Não raro vejo reportagens de pessoas que já não tinham nada, perderam tudo em algum desastre (estranho não?) e montaram empresas de sucesso. Conheço muitas pessoas humildes que sabem controlar certinho o pouco dinheiro que ganham. Conheço muitos esnobes em carros novos e roupas bonitas que estão na mira de bancos e recuperadoras de crédito, quando não da justiça! Mas tenho que admitir que o mercado aproveita melhor esse binômio dinheiro-prazer e consegue colocar quase todos nós trabalhando arduamente para o prazer de terceiros. Sem dúvida, alguém sempre terá prazer em um trabalho bem feito.

O problema é que raramente esse alguém é você! Somos sistematicamente treinados para produzir riqueza ao custo de nossa saúde, família, tempo, etc. Mas quanto do que você faz se transforma em benefício real para sua vida? A pergunta fica ainda mais embaraçosa se incluir não apenas o lhe resta de dinheiro a cada mês, mas o quanto você foi feliz enquanto trabalhou, acordou cedo todos os dias, aguentou calado certas situações, ouviu seu filho, dedicou-se a sua esposa, ou seja, viveu, amou e fez sentido, ou foi amado e viu sentido no que fez. Muitos vão considerar tudo isso até verdade, mas muito romântico para ser real. Mas estou a ponto de ousar radicalmente. Arco-íris sem cor é muito feio. Mesmo com ouro no final.

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