Acredito em duendes e no direito penal

do

Para você que acha que deve haver a redução da maioridade penal, veja um pouco do que acontece a um condenado neste sério país.

A história a seguir é real. Por razões óbvias não posso revelar o nome dos envolvidos.

Pelo que vejo todos os dias, já tenho motivos para não acreditar no Direito Penal. Na verdade o instituto é particularmente interessante e necessário. Mas aqueles que como eu operam ou auxiliam de alguma forma a execução penal sabem que é revoltante, para dizer apenas uma palavra da realidade do sistema.

O demônio Sr. Juvenal estuprou a sobrinha de sua esposa entre os 14 e 17 anos desta. Mesmo tendo já 3 filhos e sendo sua esposa debilitada psicologicamente, usando de graves ameaças, obrigava a adolescente a satisfazer seus desejos lascivos.  O crime foi descoberto em razão da gravidez da vítima.

Como se não bastasse, o animal do Juvenal “delicadamente” sugeriu para que sua quase sobrinha abortasse.

Se eu te disser que Juvenal é menor, talvez fosse fique triste, pensando que nada iria acontecer com ele. Menos mal. Juvenal é maior e capaz de responder por seus atos.

Contudo, ao prolatar a sentença o juiz, mesmo condenando o réu a mais de 10 anos de reclusão, atento às necessidades de seus filhos e sua esposa, sendo o arrimo de família, concedeu ao mesmo o direito de recorrer em liberdade e fixou o regime aberto para o cumprimento da pena.

Agora, por estar muito incomodado com o uso da tornozeleira eletrônica, o defensor público postulou em seu benefício o pedido de retirada do equipamento, o que é prontamente concedido aqui em Minas Gerais devido ao sucateamento do sistema…

Antes de defender o que deve acontecer com os menores infratores, dizer que bandido tem que apodrecer na cadeia, lembre que este país não é sério.

Lembre que existe um mundo real, pessoas sendo violentadas de todas as formas enquanto os magistrados estão presos à literalidades vazias e são obrigados a cumprir uma lei feita indiretamente por todos nós através dos representantes legislativos.

Lembre que não há cumprimento de pena. É uma piada de muito mal gosto.

Lembre que a referida adolescente jamais se recuperará do que sofreu e tem agora um filho fruto da violência que sofreu.

O Direito Penal é necessário. Seus princípios são nobres. A maneira como o Estado sabiamente o utiliza é como pimenta nos olhos dos outros.

Os duendes são seres da floresta. E no fim do arco íris você encontrará um pote de ouro.

Brasil. Existe esperança?

O título  é muito amplo. É um questionamento que inevitavelmente sugere outros tantos. De que estou falando? Vou focar na questão jurídica. Ou em uma delas. Sendo apenas um estudante que como tal, obrigatoriamente deve pensar sobre o tema. Existe esperança de que o Brasil se consolide como um Estado Democrático de Direito? Isso já está estabelecido constitucionalmente, mas o que vemos na prática é muito distante da retórica constituinte. Sinceramente, por muito tempo fiz coro com aqueles chamados desesperançados, que simplesmente não acreditam que possamos nos levantar da lama moral em que estamos. Talvez porque não se trata de um momento pelo qual passamos. A imoralidade fez parte do surgimento histórico desta nação. De todas as formas possíveis, nosso país serviu de esgoto europeu, laboratório e usina de exploração humana intensa. Um povo com tal formação moral, teria condições de mudar?

Ao perceber como as pessoas reagem “inconformadas” com o sistema democrático, como o interesse dominante consegue literalmente hipnotizar as massas diante de temas inócuos, meu sentimento sempre foi de total descrédito quanto a um futuro diferente. O povo diz-se insatisfeito. Comenta do mensalão, apenas a ponta do iceberg, como uma conquista sem precedentes. Nada de fato ainda aconteceu. Mas a mesma pessoa que condena o mensaleiro, vende seu voto por cinquenta reais ou menos. Por uma bolsa esmola qualquer. Continua a prestar fidelidade e audiência aos dominadores midiáticos que deveria boicotar por questões de família. Manifesta-se nos ciclos virtuais e religiosos com veemência. Mas o país continua nas mesmas mãos podres sustentadas pelos mesmos pobres que apenas fazem piada com a própria desgraça.

Somente no último ano, no ambiente acadêmico, ouvi de certo professor que a nossa democracia é muito jovem. Que com a mesma idade, outras nações também eram incipientes, que o caminho rumo à consolidação jurídica de um povo é fenômeno histórico, progressivo, lento e contínuo. Olhando a massa, a primeira impressão é que  isso é só mais um discurso de esperança, um sonho e nada mais. Olhando a minha volta, entretanto, vejo pessoas que com atitudes simples estão mudando o destino de semelhantes seus. Seria este o indício da possibilidade de que algo bom aconteça em larga escala? Não estou certo.

Sei porém que por toda história existem grupos que raramente são mencionados. Quando o são, geralmente as referências são pejorativas, como o caso dos puritanos.  

Nossa primeira impressão ao ver qualquer noticiário é de que não existe esperança alguma, que devemos ser gratos por cada dia de vida em que não fomos devorados na selva da existência. O que não deixa de ser verdadeiro. Normal assim ser, devido a intensa propagação do mal, aliado ao nosso insaciável prazer mórbido de o consumir.  Assumimos que as más pessoas são a minoria, que não nos envolvemos com a maldade, mas o sentimento de insegurança é permanente. Indício de estarmos enganados?

Quanto ao país, as rédeas da história não estão em minhas mãos. Este é um debate que resisti por muito tempo e que agora começo a encontrar bons contra argumentos. Mas a mais importante constatação é que sempre existiram e sempre existirão pessoas imunes ao curso malévolo imposto por quem se beneficia do caos. Junto a estes quero estar. Digna é uma nação mesmo que minúscula em comparação a qualquer gigante que insiste em permanecer deitado eternamente.

Nascido para estar só

bored

Ele faz de tudo para ficar sozinho. Muitos estão ao seu redor e fazem das tripas coração para tentar uma convivência ao menos razoável. Bons diálogos, sorrisos, são apenas surpreendentes momentos de paz. Logo uma atitude incompreensível, não tanto inesperada, rompe a quietude e a harmonia e traz a mesmice da intolerância. Como se relacionar com alguém assim?

Nem mesmo sua família conseguiu. Nem mesmo sua genitora compreende o que se passa naquela cabecinha. Em conversas, compreendo que sua mãe está ciente dos erros que cometeu durante a criação. É possível concluir, ainda que sem o endosso de um especialista, que a personalidade aqui é preponderante. Não foi a falta de castigo ou o excesso de coro. Talvez uma orientação profunda aos ascendentes teria incentivado medidas ainda mais enérgicas, porém eficazes. Mas alguém que em madura idade consegue criticar a própria mãe pela falta de tarefas domésticas que bem poderiam a esta altura serem praticadas em retribuição pelas décadas anteriores, demonstra grande habilidade para repulsar qualquer amigo remanescente. Aliás, em redes sociais, parece uma pessoa normal, cheia de amigos, contatos. Convites repentinos são a deixa para noitadas e passeios improváveis, cheios de grandes momentos. Popularidade e aceitação dentro da média. Estaria tudo bem não fosse a necessidade de relacionamentos entre seres humanos reais e não seus avatares, mesmo estreitamente parecidos com os donos de suas senhas. As aparências são tudo na rede. Lá o mundo é todo de fantasia e tudo é possível. Talvez por isso é tão raro encontrar os familiares entre os contatos mais recorrentes. Estes são os que suportam o real personagem não só na linha do tempo, mas o tempo todo. Estes não tem como apagar o perfil. Tantas vezes lhes resta olhar de perfil. Tentar entender o que se passa com o fulano. Por que é tão intenso onde se colhe quase nada? Impressiona o tempo gasto com curtir, visualizar, postar, mandar mensagens e links. E pensar que todas são ações baseadas nas nossas formas cotidianas de interação. Mas a raiz da sociedade, sua célula criadora é sempre a primeira a ser deixada de lado. É sempre a primeira a sentir os efeitos da entrada gradual no mundo virtual. Alguém já disse que desejava muito ser uma secretária eletrônica. A grande motivação era poder dizer a alguém indesejável: não estou, deixe seu recado após o sinal! Mesmo sem desejar, é isso que muitos pais e irmãos tem em reposta à busca por seus familiares. Fui! Deixe o recado que leio quando chegar. Era assim em sua casa. Nem era preciso, entretanto, deixar recados. Ele não se importava mais. Só queria sair. Chegava já de costas.

Pessoas como ele costumam ser carentes. Não suportam ficar sozinhos. Parece paradoxal, mas é muito lógico isso. Ninguém o suporta. Todos agradecem quando enfim ele vai embora. O passeio foi incrível, o papo estava bom, mas só se sabe quem é alguém depois que se come sal junto. Suportar uns aos outros em amor. Tarefa das mais difíceis. Imagine para ele. Não tem como dar um tempo de si mesmo. Terá que se suportar para sempre. E tudo que faz, afasta mais ainda todos de si. Ele age centripetamente em relação a um  ponto de onde os outros de movem centrifugamente.

 

Banco do Brasil. Se é bom pro banco, você que se f#¨%$!

Chega a ser retórico dizer que os bancos são os bandidos nº1 do colarinho branco. Estão há décadas no topo da lista de reclamações dos principais órgãos de defesa de consumidor. Dê uma olhada no naipe das principais reclamações! Houve um tempo em que até se questionou se a relação banco/cliente seria mesmo relação de consumo. Mas não resta dúvidas, é uma relação de consumo. Os bancos consomem seu dinheiro com uma fome incrível.

Mas como a roubalheira não tem limites, nem a sem vergonhisse, não bastasse utilizar o jovem galan, faturando em cima do seu tratamento de câncer, o que traz maior comoção na propaganda, o Banco do Brasil (o nome vem mesmo a calhar) apenas recentemente resolveu para de exigir exclusividade como condição para conceder crédito a servidores públicos. Resumindo, você só teria crédito na modalidade conseguir nada consignado, se passasse a se relacionar exclusivamente com ele. Ele só te emprestaria dinheiro, a despeito do seu bom nome na praça, se você aceitasse  pagar lá a manutenção de conta, tarifa de excesso de limite, de cheque especial, de saque, de depósito, de cadeira com rodinha para falar com o gerente, tarifa de esperar menos de 15 horas na fila, tarifa de folha impressa dos dois lados, tarifa de papel higiênico, de cafezinho, de espirro do gerente, etc.

Falta dizer, que pra que o BB “reconhecesse” sua arbitrariedade, foi preciso assinar um termo específico com o CADE. (CAdê o meu Dinheiro, Espertinho? ). No conchavo?  acordo, o banco pagará mais de 100 milhões ao FDD, Fundo dos Direitos Difusos. Ou seja, não se sabe de quem é o direito, muito menos o dinheiro…

Falar mais é bobagem. 

Advogado terminando namoro

 

Prezada Otaviana de Albuquerque Pereira Lima da Silva e Souza,      
Face aos acontecimentos de nosso relacionamento, venho por meio desta, na qualidade de homem que sou, apesar de V Sa. não me deixar demonstrar, uma vez que não me foi permitido devassar vossa lascívia, retratar-me formalmente, de todos os termos até então empregados à sua pessoa, o que faço com supedâneo no que segue:   
 
DA INICIAL MÁ-FÉ DE VOSSA SENHORIA  
1. CONSIDERANDO QUE nos conhecemos na balada e que nem precisei perguntar seu nome direito, para logo chegar te beijando; 
1.2. CONSIDERANDO seu olhar de tarada enquanto dançava na pista esperando eu me aproximar. 
1.3. CONSIDERANDO QUE com os beijos nervosos que trocamos naquela noite, V.Sa. me induziu a crer que logo estaríamos explorando nossos corpos, em incessante e incansável atividade sexual. Passei então, a me encontrar com Vossa Senhoria.
 
DOS PREJUÍZOS EXPERIMENTADOS 
2. CONSIDERANDO QUE fomos ao cinema e fui eu quem paguei as entradas, sem se falar no jantar após o filme. 
2. 2. CONSIDERANDO QUE já levei Vossa Senhoria em boates das mais badaladas e caras, sendo certo que fui eu, de igual sorte, quem bancou os gastos. 
2. 3. CONSIDERANDO QUE até à praia já fomos juntos, sem que Vossa Senhoria gastasse um centavo sequer, eis que todos os gastos eram por mim experimentados, e que Vossa Senhoria não quis nem colocar biquíni alegando que estava ventando muito.
 
DAS RAZÕES DE SER DO PRESENTE 3.1. CONSIDERANDO AINDA QUE até a presente data, após o longínquo prazo de duas semanas, Vossa Senhoria não me deixou tocar, sequer na sua panturrilha. 
3.2. CONSIDERANDO QUE Vossa Senhoria ainda não me deixa encostar a mão nem na sua cintura com a alegaçãozinha barata de que sente cócegas. 
 
DECIDO SOBRE NOSSO RELACIONAMENTO O SEGUINTE. 
4.1. Vá até a mulher de vida airada que também é sua progenitora, pois eu não sou mais um ser humano do sexo masculino que usa calças curtas e a atividade sexual não é para mim, um lazer, mas sim uma necessidade premente. 
4.2. Não me venha com “colóquios flácidos para acalentar bovinos” de que pensava que eu era diferente. 
4.3. Saiba que vou te processar por me iludir aparentando ser a mulher dos meus sonhos, e, na verdade, só me fez perder tempo, dinheiro e jogar elogios fora, além de me abalar emocionalmente. 
 
Sinceramente, sem mais para o momento, fique com o meu cordial “vá tomar no meio do olho do orifício rugoso localizado na região infero-lombar de sua anatomia” que esse relacionamento já inflou o volume da minha bolsa escrotal! 
 
Dou assim por encerrado o nosso relacionamento, nada mais subsistindo entre nós, salvo o dever de indenização pelos prejuízos causados.
via http://www.naoentendodireito.com/

Vença uma discussão sem ter razão

O maluco da foto é Shopenhauer. Não penso que este é o caminho para quem tem a razão. Mas não deixa de ser interessante. São 38 estratégias para dominar tecnicamente uma discussão, sem versar sobre o mérito. Exertos do livro “A arte de ter razão”.

Nº 1. Leve a proposição do seu oponente além dos seus limites naturais; exagere-a. Quanto mais geral a declaração do seu oponente se torna, mais objeções você pode encontrar contra ela. Quanto mais restritas as suas próprias proposições permanecem, mais fáceis elas são de defender.

Nº 2. Use significados diferentes das palavras do seu oponente para refutar a argumentação dele. Exemplo: a pessoa A diz: “Você não entende os mistérios da filosofia de Kant” . A pessoa B replica: “Ah, se é de mistérios que estamos falando, não
tenho como participar dessa conversa” .

Nº 3. Ignore a proposição do seu oponente, destinada a referir-se a alguma coisa em particular. Ao invés disso, compreenda-a num sentido muito diverso, e em seguida refute-a. Ataque algo diferente do que foi dito.

Nº 4. Oculte a sua conclusão do seu oponente até o último momento. Semeie suas premissas aqui e ali durante a conversa. Faça com que o seu oponente concorde com elas em nenhuma ordem definida. Por essa rota oblíqua você oculta o seu objetivo até
que tenha obtido do oponente todas as admissões necessárias para atingir o seu objetivo.

Nº 5. Use as crenças do seu oponente contra ele. Se o seu oponente recusa-se a aceitar as suas premissas, use as próprias premissas dele em seu favor. Por exemplo, se o seu oponente é membro de uma organização ou seita religiosa a que você não pertence, você pode empregar as opiniões declaradas desse grupo contra o oponente.

Nº 6. Deixe a questão confusa mudando as palavras do seu oponente ou aquilo que ele está procurando provar. Chame uma coisa por um nome diferente: diga “ boa reputação” ao invés de “ honra” , “ virtude” ao invés de “ virgindade” , “ animais de sangue quente” ao invés de “ vertebrados” .

Nº 7. Declare a sua proposição e demonstre a verdade dela fazendo ao oponente uma longa lista de perguntas. Fazendo muitas perguntas abrangentes ao mesmo tempo, você pode ocultar aquilo que está tentando fazer com que o seu oponente admita. Você em seguida avança o argumento a partir de uma admissão do oponente.

Nº 8. Deixe o seu oponente furioso. Uma pessoa enfurecida é menos capaz de usar o seu julgamento ou de perceber onde residem as suas vantagens.

Nº 9. Use as respostas que o seu oponente dá à sua pergunta de modo a alcançar conclusões diferentes ou opostas.

Nº 10. Se o seu oponente responde a todas as suas perguntas negativamente e recusa-se a ceder em qualquer ponto, peça que ele concorde com a versão oposta das suas premissas. Isso pode confundir o seu oponente quanto ao ponto em particular a respeito
do qual você está tentando fazer com que ele ceda. Pois a natureza humana é tal que, se “A” e “B” estão refletindo em conjunto, e comunicando as suas opiniões um ao outro a respeito de qualquer assunto, e “A” percebe que os pensamentos de “ B” sobre o mesmo assunto não são os mesmos que os seus, ele não começa revisando o seu próprio processo de raciocínio, a fim de descobrir qualquer erro que possa ter cometido, mas pressupõe que o erro tenha ocorrido no raciocínio de “ B” .

Nº 11. Se o seu oponente admite a verdade de algumas de suas premissas, abstenha-se de pedir que ele concorde com a sua conclusão. Mais tarde introduza suas conclusões na conversa como coisa resolvida ou admitida por ele. O seu oponente e outros na assistência poderão ser levados a acreditar que foi de fato com a sua conclusão que ele concordou.

Nº 12. Se o argumento move-se para o terreno de idéias gerais que não têm nomes particulares, você deve usar uma linguagem ou metáfora que seja favorável à sua proposição. Exemplo: O que uma pessoa imparcial chamaria de “ fé pessoal” ou “ opção religiosa” é descrito pelo seu partidário como “ santidade” ou “ devoção” , e pelo seu oponente como “ preconceito” ou “ superstição” .

Nº 13. A fim de fazer com que o seu oponente aceite a sua proposição, apresente também uma contra-proposição oposta. Se o contraste for acentuado, seu oponente acabará aceitando a sua proposição para evitar parecer controverso. Exemplo: Se você
quer que ele admita que um rapaz deve fazer absolutamente qualquer coisa que o seu pai manda que ele faça, pergunte se o seu adversário acredita que “ devemos em tudo desobedecer aos nossos pais” . É como colocar o cinza ao lado do preto e chamá-lo de branco, ou colocar o cinza perto do branco e chamá-lo de preto.

Nº 14. Tente lograr o seu oponente. Se ele respondeu diversas de suas perguntas sem que as respostas inclinem-se em favor da sua conclusão, avance a sua conclusão triunfantemente, mesmo se não procede. Se o seu oponente for tímido ou estúpido, e se
você possuir uma grande dose de descaramento e uma boa voz, essa técnica pode funcionar.

Nº 15. Se você quer apresentar uma proposição que é difícil de provar, coloque-a de lado por um momento. Ao invés disso, peça que o seu oponente aceite ou rejeite alguma proposição verdadeira, como se fosse através disso que você fosse extrair a sua prova. Se o seu oponente rejeitá-la suspeitando de alguma armadilha, você obtém o seu triunfo demonstrando o quão absurdo é o seu oponente rejeitar uma proposição que é obviamente verdadeira. Se o seu oponente aceitá-la, a razão permanece com você pelo momento. Você pode então ou tentar demonstrar a sua proposição original ou, como no Nº 14, agir como se a sua proposição original tivesse sido provada pelo que o seu oponente admitiu. Essa técnica requer um grau extremo de descaramento para que funcione, mas a experiência já comprovou inúmeras vezes a sua eficácia. A Controvérsia Dialética é a arte de debater, e debater de modo a sair por cima, quer você esteja certo ou não.

Nº 16. Quando o seu oponente apresenta uma proposição, considere-a inconsistente com as declarações, crenças, ações ou omissões do oponente. Exemplo: Se o seu oponente defende o suicídio, pergunte imediatamente: “ Então porque você não se enforca?” Se ele observar que a sua cidade não é um lugar bom para se viver, pergunte: “ Então por que você não parte no primeiro avião?”

Nº 17. Se o seu oponente pressioná-lo com uma evidência contrária, você pode com freqüência safar-se defendendo alguma distinção sutil. Tente encontrar algum significado subjacente ou ambigüidade na idéia do seu oponente.

Nº 18. Se o seu oponente abriu uma linha de argumentação que acabará levando inevitavelmente à sua derrota, não permita que ele a leve até a sua conclusão. Interrompa o debate, retire-se imediatamente ou leve o seu oponente a mudar de assunto.

Nº 19. Se o seu oponente desafiá-lo expressamente a apresentar uma objeção a algum ponto definido da sua argumentação e você não tem mais nada a dizer, tente fazer o argumento dele menos específico. Exemplo: Se ele pedir algum motivo pelo qual determinada hipótese não deva ser aceita, fale da falibilidade do conhecimento humano e ilustre com vários exemplos.

Nº 20. Se o seu oponente aceitou todas ou a maior parte das suas premissas, não peça que ele concorde diretamente com a sua conclusão. Ao contrário, exponha a conclusão você mesmo como se ela também tivesse sido admitida. Uma pessoa pode estar
objetivamente com a razão, e mesmo assim sair por baixo na opinião dos observadores (e algumas vezes na sua própria opinião). Por exemplo, suponha que eu apresente uma prova para demonstrar uma afirmação minha. Se o meu adversário refutar a prova, dará a impressão de estar refutando também a afirmação –  para a qual podem, no entanto, haver outras provas. Nesse caso, é claro, meu adversário e eu trocamos de posição: ele sai por cima quando, na verdade, está errado.

Nº 21. Quando o seu oponente utilizar um argumento superficial e você enxergar essa falsidade, refute-o estabelecendo a natureza superficial desse argumento. Melhor ainda é rebater o oponente com um contra-argumento tão superficial quanto o dele, só para vencê-lo –  afinal de contas é em ganhar que você está interessado, não na verdade.  Exemplo: Se o seu oponente apelar para o preconceito, para a emoção ou para ataques pessoais, devolva o ataque na mesma moeda.

Nº 22. Se o seu oponente pedir que você admita alguma coisa a partir da qual o ponto em discussão pode ser concluído, recuse-se a fazê-lo, declarando que ele incorre em petição de princípio.

Nº 23. Contradição e contenciosidade irritam a pessoa de modo a fazê-la exagerar suas declarações. Contradizer o seu oponente pode levá-lo a estender a sua declaração além dos limites, e quando você contradiz essa manifestação exagerada parece estar refutando a declaração original. Do modo correspondente, se o seu oponente tentar estender a sua própria declaração mais do que você tencionou, redefina os limites da sua declaração e afirme: “ foi isso que eu disse, e não mais do que isso” .

Nº 24. Recorra a um falso silogismo (Silogismo: A=B e B=C, então A=C). Seu oponente faz uma declaração, e você por falsa inferência e distorção das idéias dele extrai à força proposições não-tencionadas e absurdas da afirmação original. Fica parecendo assim que a proposição do seu oponente trouxe à luz essas inconsistências, restando a impressão de que ela mesma foi indiretamente refutada.

Nº 25. Se o seu oponente está fazendo uma generalização, encontre uma instância que demonstre o contrário. Basta uma contradição válida para derrubar a proposição do seu oponente. Exemplo: “ Todos os ruminantes tem chifres” é generalização que pode ser subvertida pela instância única do camelo.

Nº 26. Uma manobra brilhante é virar a mesa e utilizar os argumentos do seu oponente contra ele mesmo. Exemplo: Seu oponente declara: “ fulano é ainda uma criança, você deve fazer-lhe uma concessão” . Você retruca: “ justamente porque ele é criança devo corrigi-lo, caso contrário ele persistirá em seus maus hábitos” .

Nº 27. Se o seu oponente surpreender você ficando particularmente indignado diante de um argumento seu, insista nesse argumento com ainda maior zelo. Isso não apenas deixará o seu oponente furioso, mas vai deixar a impressão de que você tocou um ponto frágil na argumentação dele, e de que seu oponente está mais suscetível a um ataque no que diz respeito a esse ponto do que você esperava.

Nº 28. Quando a audiência consistir de indivíduos (ou uma pessoa) que não sejam autoridade no assunto, você pode levantar uma objeção inválida e o seu oponente parecerá ter sido derrotado aos olhos da sua audiência. Esta estratégia é particularmente efetiva quando a sua objeção faz o seu oponente parecer ridículo, ou quando a audiência ri. Se o seu oponente tiver de fazer uma longa, prolixa e complicada explicação para corrigi-lo, a audiência não estará disposta a ouvi-lo.

Nº 29. Se você perceber que está sendo vencido na argumentação, crie uma diversão –isto é, comece de repente a falar sobre outra coisa, como se isso tivesse importância na matéria em questão. Isso pode ser feito sem medo se a diversão mostrar ter alguma relação mesmo que genérica com a questão.

Nº 30. Apele para a autoridade ao invés de para a razão. Se o seu oponente respeita determinada autoridade ou especialista, cite essa autoridade para avançar o seu argumento. Se necessário, cite o que essa autoridade disse em outro sentido ou circunstância. Autoridades que o seu oponente não chegou a entender são em geral às que ele admira mais. Você pode, se necessário, não apenas distorcer as autoridades citadas em seu favor, mas também falsificá-las, citando algo inteiramente inventado por você. Falam sem pensar, e mesmo que depois percebam que estão errados, querem parecer o contrário. O interesse da verdade dá lugar aos interesses da vaidade: assim, por causa da vaidade, o que é verdadeiro deve parecer falso, e o falso verdadeiro.

Nº 31. Se sabe não ter uma resposta para os argumentos apresentados pelo seu oponente, você pode num golpe de ironia declarar-se um juiz incompetente. Exemplo: “O que você diz ultrapassa os meus pobres poderes de compreensão. Pode muito bem ser verdade, mas não sou capaz de entender, por isso abstenho-me de expressar qualquer opinião sobre o assunto” . Desta maneira você insinua à sua audiência, diante da qual permanece com uma boa imagem, de que o que seu oponente está dizendo é um contra-senso.
Nº 32. Um método rápido de livrar-se da declaração de um oponente, ou de colocá-la sob suspeita, é classificá-la debaixo de uma categoria odiosa. Exemplo: Você pode dizer: “ Isso é fascismo” , ou “ ateísmo” , ou “ nazismo” , ou “ superstição” . Fazendo essa
objeção você está pressupondo tacitamente que: 1) a declaração em questão é idêntica à categoria mencionada ou está pelo menos contida nela; e 2) o sistema mencionado foi inteiramente rejeitado pela presente audiência.

Nº 33. Admita as premissas do seu oponente mas negue a sua conclusão. Exemplo: “ Isso é muito bom na teoria, mas na prática não funciona” .

Nº 34. Se você apresenta uma pergunta ou um argumento e seu oponente não lhe dá uma resposta direta, contorna-os com outra pergunta ou tenta mudar de assunto, é sinal claro de que você atingiu um ponto fraco, por vezes de forma não intencional. Você, por assim dizer, reduziu seu oponente ao silêncio. Insista, portanto, ainda mais no ponto em questão, e não deixe que seu oponente o evite, mesmo quando você não sabe ainda em que consiste a fraqueza que acaba de descobrir. Ao seguirmos estas regras com esta finalidade, não devemos nos preocupar em qualquer sentido com a verdade objetiva, porque normalmente não sabemos onde está a verdade.

Nº 35. Ao invés de concentrar-se no intelecto do seu oponente ou no rigor de seus argumentos, concentre-se nos motivos dele. Se você conseguir fazer com que a opinião do seu oponente, caso se mostre verdadeira, pareça distintamente prejudicial ao seu próprio interesse, ele a abandonará imediatamente. Exemplo: Um clérigo está defendendo algum dogma filosófico. Demonstre que sua proposição contradiz alguma doutrina fundamental da sua igreja, e ele se verá forçado a abandonar o argumento.

Nº 36. Você pode também confundir e desconcertar seu oponente através de grandiloqüência pura e simples. Se seu adversário é fraco ou se não deseja aparentar não ter idéia sobre o que está falando, você pode impor facilmente sobre ele algum argumento que pareça profundo e erudito, ou soe como inquestionável.

Nº 37. Se seu oponente estiver certo mas, felizmente para você, apresentar uma prova deficiente, você pode com facilidade refutar a prova e em seguida alegar que refutou a posição inteira. É dessa forma que maus advogados perdem boas causas. Se seu
oponente for incapaz de produzir uma prova irrefutável, você ganhou o dia.

Nº 38. Parta para o ataque pessoal, insultando grosseiramente, tão logo perceba que seu oponente está com a vantagem. Partindo para o ataque pessoal você abandona o assunto por completo, passando a concentrar o seu ataque na pessoa, fazendo uso de observações ofensivas e malevolentes. Esta é uma técnica muito popular, porque requer pouca habilidade para ser colocada em prática.