A busca por temas. Sobre o que escrever?

Muitos como eu devem estar à procura de um tema para escrever. É uma busca de dentro de si que parece não ter fim. Existem tantas possibilidades, tantos temas de interesse, tantas palavras chave, mas ao mesmo tempo parece que não há nada. Talvez você esteja se identificando com essas palavras. Talvez você seja mais um que gosta de escrever ou gostaria de estar escrevendo alguma coisa.

Desejar ser lido pode ser um obstáculo a conseguir escrever. Está frase soa até sem sentido, pois o desejo de ser lido deve ser uma motivação e uma das fontes de inspiração para se escrever alguma coisa. Mas quando partimos unicamente deste interesse, nem sempre conseguimos ao menos escrever um parágrafo. Pois tenho pensado que o verdadeiro escritor não escreve para os outros. Escreve para si. Carlos Drummond escreve metaforicamente sobre isso em um dos seus poemas, Procura da Poesia, ao descrever a atividade do poeta. Claro que o texto precisa ser direcionado a quem vai ler, especialmente no marketing e no texto jornalístico. Mas não é assim no texto poético, na criação literária, nas mais belas obras, nos textos sagrados, na filosofia e nos verdadeiros romances.

Quero ser lido, mas antes disso quero expressar o que se passa no meu universo. Quero dar minha perspectiva das coisas. E só me sentirei realizado com o que escrever se perceber que se trata de algo que realmente saiu de dentro de mim, se não foi algo apenas alguém dizer que gostou. De fato isso não interessa muito. Coisa realmente paradoxal, como já dito por grandes autores, como representado em Midnight in Paris, onde Allen genialmente expõe seus sentimentos quanto às suas obras, numa alegoria mestra onde as pessoas que o inspiram literariamente dão opiniões, mesmo resistentes, sobre seu ainda esboçado livro. Algo surreal, o sonho de qualquer escritor. Na verdade de qualquer artista. Ter uma crítica real de sua obra, de alguém que consegue ver além das palavras, a alma do escritor, que consegue ver o sorriso dos pés que dançam, o dançar das mãos que pintam, a singeleza do aparente algoz, a sobrenaturalidade de quem ainda não possui a linguagem ilimitada, mas que transcende a realidade com a arte poética do que faz, mostrando como vê o mundo que a maioria diz conhecer muito bem.

Escrever – que este verbo represente toda forma genuinamente artística de expressão – não pode começar na procura de temas. A arte está dentro de cada ser humano. Se toda arte disponível fosse exposta, viveríamos num estado mais próximo do real, daquele mundo que temos erroneamente como fictício, mas que independente da crença é certo e definitivo. De lá provém todas as coisas, inclusive os temas. Quando sinto dificuldade em produzir alguma coisa, concluo que estou a procurar onde só encontrarei superficialidades, nesta esfera em que tudo é mensurado por valores de fato alegóricos e passageiros. No lugar onde de fato tudo é real não faltam temas. Faltam é escritores. Sobram palavras. Palavras que fazem todas essas que usamos aqui parecerem estranhos e desconexos fonemas de quem ainda está longe de aprender a falar.

Aprenda sexo

Aprender sexo continua sendo um tabu social mesmo na tão aclamada sociedade da informação.  Em geral, poucos admitem que tem problemas, ou questões por resolver. Poucos são os que procuram melhorar o que supõem já ser ótimo.  Como todos tem um pouco de técnicos de futebol, eletricistas, mecânicos e médicos, todos dizem saber e serem muito experientes e realizados.

Pior ainda é o incomum hábito de leitura em nosso país. Aí sim as coisas se complicam. Isso porque como em outras áreas, as pessoas “aprendem” sobre sexo ou fazendo ou ouvindo historinhas. Isso quando não é na nossa tv, seja aberta ou fechada , de  primeiríssima qualidade! 🙂

Para os que não se enquadram nas perspectivas acima, penso que será de muito proveito o livro acima. Sem rodeios, bem humorado e procurando ser bíblico, o livro é mais um achado em meio a tanta tolice gospel que é publicada atualmente.

Editora Central Gospel

Mente inútil

O novo é impactante. No entanto, precisa ser recepcionado com espírito aberto, ávido o suficiente para enterrar a denominada “cegueira utilitária” e não permitir que o “futuro repita o passado”. Afinal, como disse J. W. Jenks, “A entrada para a mente do homem é o que ele aprende, a saída é o que ele realiza. Se sua mente não for alimentada por um fornecimento contínuo de novas idéias, que ele se põe a trabalhar com um propósito, e se não houver uma saída por uma ação, sua mente torna-se estagnada. Tal mente é um perigo para o indivíduo que a possui e inútil para a comunidade”.

Fonte: http://www.conjur.com.br/2012-jan-12/nao-dizer-cpc-cria-ditadura-judiciario

Bem aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Salmo 1:1

 

Esse é dos salmos mais conhecidos juntamente com o salmo 23. Geralmente quando se propõe a falar sobre ele, a distinção entre justos e pecadores é ressaltada. Com a secularização que inunda os meios religiosos, fica muito difícil uma distinção na conduta desses dois grupos quanto a suas práticas. De fato, ainda que em outros tempos, ou em algumas regiões, levava-se a religião mais a sério, somente a essência do homem pode distinguir uns dos outros, pois a atitude é conseqüência de um modo de vida e não sua causa. Em outras palavras, quem vê cara não vê coração, ou a boca fala do que está cheio o coração¹.

Certo dia no carro com minha esposa, durante a conversa ela me mostrou três momentos importantes no verso citado. Algo como um passo a passo acontece entre a condição de justo e pecador. Sem entrar em definições de um e outro, é interessante observar que há um processo que faz com que saiamos de uma condição para a outra. Isso no que diz respeito a atitudes, pois carne está destinada a ser sempre carne².

Antes de mudarmos de atitude ou cometermos algo contrário aos bons princípios e à ética de um grupo qualquer a que pertençamos, começamos a nos aproximar de outros grupos. Começamos a andar com outras pessoas. Não agimos como elas a princípio, mas a companhia vai produzindo laços, vai aumentando a aceitação do que no início não era bem visto, mas agora começa a ser cogitado em nossa mente, ainda que com certa resistência. Popularmente, diga-me com quem andas e eu te direi quem és.

O passo seguinte é se deter pelo caminho. Note que isso é uma pausa no antigo caminhar. Talvez agora a possibilidade de atitude contrária à antiga convicção seja maior. Mas é apenas uma detenção, uma paradinha no caminhar, a fase do “o que que tem”, “um pouquinho não faz mal” e muitas outras justificativas. Uma preparação para a liberação moral do que antes não era aceito. Quando você permanece na caminhada, essas ponderações são pouco eficazes, mas quando se pára de andar, outras possibilidades surgem. Quando paro de andar, quando me detenho pelo caminho, a chegada ao destino fica incerta.

Por fim, o que era apenas uma rápida parada, torna-se definitivo. Agora estou assentado com outro grupo. Parei minha caminhada. Desviei-me do meu destino. Um pouco de influência bem direcionada aos pontos certos, pode convencer quase qualquer um. Veja se isso já não aconteceu com você.

Mudar de opinião, rever conceitos é uma virtude. Mas não é esse o caso. Dificilmente aceitamos coisas contrárias a nossa ética da primeira vez. Dificilmente aceitamos e achamos moral o que um político faz. Mas tente se eleger e não mudar seus valores. Diga que tanto dinheiro e talvez poder não vai te fazer se deter em alguma área de sua moralidade. Diga que os conflitos interiores que tanto nos afligem quando colocamos nossa cabeça no travesseiro, não foram um processo rumo ao sentimento de culpa. Eles não apareceram de repente.

Mas um dia andamos por caminhos tortuosos, de moral duvidosa. Outro dia ponderamos e “racionalizamos” que não são tão ruins assim. Saltamos ao terceiro estágio, onde não só praticamos torpezas, mas as aprovamos não só as práticas, mas também quem as pratica³.

Felizes somos quando percebemos a tempo. E não há melhor maneira de se precaver quanto a isso do que tendo prazer na lei do Senhor e nela sempre meditando, conforme o segundo verso do salmo primeiro.Mas lembrar é preciso que esta atitude não nos fará justos. É uma conseqüência de quem é.

As observações processuais (andar, deter, assentar) não são autoria de minha esposa.
1 “O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem  e o homem mau, do mau tesouro do seu coração tira o mal, porque da abundância do seu coração fala a boca”  Jesus – Lucas 6:45
2 “O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito” Jesus – João 3:6
3 “Ora, conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim praticam” Paulo – Romanos 1:32

Diferentes escolas, diferentes conhecimentos

Rubem Alves

Image via Wikipedia

Rubem Alves. Ele é quem disse que em Portugal – vejam só – existe uma escola onde os professores não dão respostas. Fazem perguntas. Ele mesmo afirma que sempre sonhou com esse tipo de ensino, onde o professor instiga o aluno a descobrir o mundo ideal (das idéias). Aqui e, por muitos outros lugares, as coisas são bem diferentes. O professor mastiga um tanto de coisas, leva um tempo enorme falando, ditando, escrevendo… Tempo que o aluno não está pensando, não está produzindo conhecimento.

A culpa, como sempre é do sistema. O professor aprendeu assim. Então passa adiante o método. Depois, ambos, professor e aluno se dão conta do tempo perdido. O professor cansado de tanto falar, pedir silêncio, pedir, por favor, alunos, ouçam, copiem, fiquem calados. E o aluno se cansa de ouvir, de copiar, de tentar ouvir seu tutor em meio ao desrespeito impressionante de uma sala de aula em que alguns não estão aptos a participar. Antes deveriam estar em estábulos, onde dizem, quando um burro fala, os outros baixam a orelha.

Já tive a experiência de ao invés de explicar alguma coisa a alguém, julgando que eu possa faze-lo, resolvi perguntar ao próprio questionador. Muitas vezes ele sabia a resposta. Só estava inseguro. Muitas vezes ele sabia mais do que eu estava preste a explicar. Assim, eu aprendia mais do que ele. O fato é que ao tentar explicar, sua mente fazia certos exercícios que eu não sei explicar quais são, mas que seguramente traziam efeitos bem maiores na produção do conhecimento. Tentar explicar, argumentar, ainda que errado, (se for na aula, que grande oportunidade para aprender!) quase sempre é muito mais proveitoso do que a atitude passiva de ouvir as respostas.

Conheci uma menina que vivia a estudar. Ainda assim, suas notas não eram proporcionais ao seu esforço. Dei uma olhada em seu material e vi dezenas, centenas de perguntas e respostas sobre muitos temas. As repostas eram coerentes, corretas. Como pois, estudando o tempo que ele estudava, parecia que simplesmente as coisas não “entravam” em sua cabeça? Simples: as respostas não eram dela. Ela estudava a partir de respostas corretas, mas respostas que não eram dela. Pior, nem as perguntas eram feitas por ela. Guardar informações é muito diferente de produzir informações. Isso é dinâmico. Isso é o que faz um ser humano, com uma capacidade muito inferior a de um computador, no quesito gravar movimentos de xadrez, conseguir derrota-lo. O computador tem quase infinitas possibilidades de combinações de movimentos. Mas seu oponente vê além dos movimentos. É o que neste caso chamamos de “maldade” do jogador.

Gostaria de participar da escola referida por Rubem Alves. Não apenas receber uma versão da informação, apenas visando a média pontual na prova. (quanta evolução!) Gostaria de desenvolver atividades cerebrais, conhecimento genuíno. Existem alguns professores que sabem do que estou falando. Muitos deles, infelizmente estão engessados ao sistema acadêmico onde o conhecimento é escrito com s de $. Felizmente, conheço alguns mentores com os quais posso aprender algo que faça diferença em minha vida e na vida de outros, pois posso também repensar qualquer coisa que possa transmitir conhecimento a outros, ou faze-los alcançar.