A arte de desvender

Quando saquei o cartão de débito ainda evitava olhar a cara da caixa. Aliás, melhor seria se realmente ela colocasse uma caixa na cabeça para que não tivéssemos o desprazer de ver aquela sua cara de poucos amigos. Não é por certo dos melhores empregos (como isso é difícil de definir!) mas, da forma que esta senhora trabalha, tudo certamente fica pior.

Percebendo sua recusa em pegar meu cartão, fui forçado a olhar em sua temível e lazarenta feição. Ela não olhava para mim. Apenas limitou-se a bater duas vezes no acrílico que a envolve, onde estão pregadas um tanto propagandas e outras coisas, na região em que, do meu lado podia-se ler: Temporariamente não estamos aceitando cartões. Desculpe o transtorno. Qual transtorno? De não aceitar o cartão ou de deixar o cliente saber disso na fila do caixa, onde pode ser que não há mais nada a se fazer, caso tenha consumido um lanche no estabelecimento? Neste caso, como proceder? Provocar vômito e trazer à luz os produtos que não pudera pagar em espécie?

Indiferente a tudo isso, a megera agora sim me encarava com o ar de: dane-se, se vira! De alguma forma, o ocorrido foi resolvido. Como é agora irrelevante. O que pretendo ressaltar é o descaso com o consumidor. Este é obrigado a ler os informativos internos da loja antes de comprar, ainda que estejam em locais inapropriados. E se não o fizer, que pague o pato! EM DINHEIRO!

Talvez alguém diga que eu deveria ter perguntado primeiro. Talvez eu deva além de pagar a conta, ser gentil a esse ponto com os comerciantes para que não corram o risco de ficarem sem receber. Talvez não devesse acreditar nas propagandas que incentivam o uso do cartão como uma das coisas mais sublimes da vida. Talvez seja culpa do sistema (qual?). Ou talvez devesse usar a única linguagem que os empresários costumam entender: o boicote.

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