Bucólico alcoólico não anônimo

Enquanto escrevo este post estou rodeado por milhares de metros quadrados de natureza. Ouço alguns pássaros que não faço ideia de como são. A não ser o toc toc do pica-pau. Este tem um canto muito característico! 🙂 Como é bom estar em meio ao meio ambiente! Engraçado o nome desta coisa: bucólico. É, acho que sou mesmo. Devo assumir.

De alguma forma todos nós somos bucólicos. Alguns se tornam estrelas para os promíscuos e pedófilos baixinhos e de repente assumem que acreditam em duendes. Outros se dizem “da cidade, da night, do agito”, mas não dispensam momentos zen em meio a trilhas e bosques. Há também a galera dos esportes radicais, que são praticados quase todos em meio a espetáculos naturais. Tem o pessoal do le parkour. Salvo engano, a técnica original nasceu da necessidade de transpor obstáculos naturais. E o que dizer da música, em minha desprezível opinião, a arte maior, a arte transcendente! Os sons que produzimos, as canções não são tanto mais belas quanto mais próximas do canto das aves, da sinfonia dos ventos, da beleza melódica das quedas água? Nosso gosto pela natureza  é indelével.

Faz bem um pouco de natureza, faz bem um pouco de alcool. Curiosa uma pesquisa que bem observa que somos a única espécie que continua a tomar leite depois de desmamados. Leite de vaca! O estudo diz ainda que o consumo moderado de álcool é mais benéfico em adultos do que o leite! Ah! Agora fechou! Escrever um post ao ar livre e tomar um bom vinho, ou uma marvada, ou uma loirinha! Qual você escolhe?

Controvérsias à parte, posso te garantir utilizando este método multi social de comunicação, que estar em contato com ar puro, as montanhas, fauna e flora deslumbrantes, regado a boa bebida, é fantástico! Seja lá o que você goste de fazer, fará com mais gosto, renovará suas energias e melhorará sua mente e seu corpo. Pratique!

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A busca por temas. Sobre o que escrever?

Muitos como eu devem estar à procura de um tema para escrever. É uma busca de dentro de si que parece não ter fim. Existem tantas possibilidades, tantos temas de interesse, tantas palavras chave, mas ao mesmo tempo parece que não há nada. Talvez você esteja se identificando com essas palavras. Talvez você seja mais um que gosta de escrever ou gostaria de estar escrevendo alguma coisa.

Desejar ser lido pode ser um obstáculo a conseguir escrever. Está frase soa até sem sentido, pois o desejo de ser lido deve ser uma motivação e uma das fontes de inspiração para se escrever alguma coisa. Mas quando partimos unicamente deste interesse, nem sempre conseguimos ao menos escrever um parágrafo. Pois tenho pensado que o verdadeiro escritor não escreve para os outros. Escreve para si. Carlos Drummond escreve metaforicamente sobre isso em um dos seus poemas, Procura da Poesia, ao descrever a atividade do poeta. Claro que o texto precisa ser direcionado a quem vai ler, especialmente no marketing e no texto jornalístico. Mas não é assim no texto poético, na criação literária, nas mais belas obras, nos textos sagrados, na filosofia e nos verdadeiros romances.

Quero ser lido, mas antes disso quero expressar o que se passa no meu universo. Quero dar minha perspectiva das coisas. E só me sentirei realizado com o que escrever se perceber que se trata de algo que realmente saiu de dentro de mim, se não foi algo apenas alguém dizer que gostou. De fato isso não interessa muito. Coisa realmente paradoxal, como já dito por grandes autores, como representado em Midnight in Paris, onde Allen genialmente expõe seus sentimentos quanto às suas obras, numa alegoria mestra onde as pessoas que o inspiram literariamente dão opiniões, mesmo resistentes, sobre seu ainda esboçado livro. Algo surreal, o sonho de qualquer escritor. Na verdade de qualquer artista. Ter uma crítica real de sua obra, de alguém que consegue ver além das palavras, a alma do escritor, que consegue ver o sorriso dos pés que dançam, o dançar das mãos que pintam, a singeleza do aparente algoz, a sobrenaturalidade de quem ainda não possui a linguagem ilimitada, mas que transcende a realidade com a arte poética do que faz, mostrando como vê o mundo que a maioria diz conhecer muito bem.

Escrever – que este verbo represente toda forma genuinamente artística de expressão – não pode começar na procura de temas. A arte está dentro de cada ser humano. Se toda arte disponível fosse exposta, viveríamos num estado mais próximo do real, daquele mundo que temos erroneamente como fictício, mas que independente da crença é certo e definitivo. De lá provém todas as coisas, inclusive os temas. Quando sinto dificuldade em produzir alguma coisa, concluo que estou a procurar onde só encontrarei superficialidades, nesta esfera em que tudo é mensurado por valores de fato alegóricos e passageiros. No lugar onde de fato tudo é real não faltam temas. Faltam é escritores. Sobram palavras. Palavras que fazem todas essas que usamos aqui parecerem estranhos e desconexos fonemas de quem ainda está longe de aprender a falar.